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17 de jul. de 2007

Testemunhos do Acampamento de Inverno!

Desde o início, ainda nos preparativos do acampamento, estava muito ansiosa pois parecia que apesar de tantos planos a coisa não ía acontecer!!! Coração humano... Muitos planos são feitos, mas a vontade certa vêm do Senhor!!! E muito melhor do que planejamos!!!!!!

Como muitos, ouvi Deus falar ao meu coração! Sei que Ele tem um plano para cada um de nós e devemos esperar Nele, pois a Promessa vai se cumprir em nossas vidas! Só tenho a agradecer: as amizades feitas, as amizades mais aprofundadas, as respostas dadas por Deus, os louvores, as brincadeiras, o ônibus quebrar...Rsrs! E juntos somos muuuitos melhores!!! Beijosss! E que venha logo o próximooo!!! (Sulamita Manhães).


Galera, o Acampamento foi maravilhoso, pois sentimos o Espírito Santo de Deus em nós. Durante todo processo, mesmo antes do acampamento acontecer, foram surgindo coisas inexplicáveis, vários problemas, pessoas confirmadíssimas que estavam declinando nome... enfim, essas coisas nos deixavam muito tristes, e uma incerteza quanto ao acampamento começava a surgir. Não posso mentir pra ninguém e confesso pra vocês que é muito frustrante quando marcamos algo, trabalhamos duro em cima daquilo, e no final das contas a coisa simplesmente não acontece. Bem, esse era o meu pensamento, então comecei a orar, e uma tranqüilidade muito grande invadiu meu coração, e comecei a pensar sobre o que era o propósito desde o início, que era o de evangelizar, e levar pessoas a ter um real encontro com Cristo, então a partir desse momento foi como se Deus tivesse falado ao meu coração, "Fica frio, que vai dar tudo certo" ... e não é que deu ?!? Ainda hoje, quando fecho os olhos, me veêm pensamentos, recordações dos momentos maravilhosos que tivemos, como os louvores, o choro incontrolável enquanto cantávamos, em especial o cantico "se a Tua voz ouvir", ou durante um solo do Sax do Wellington, ou quando orávamos intercedendo por nossas vidas e de nossos queridos, a união entre todos, os testemunhos maravilhosos que vinham de pessoas que as vezes menos esperávamos, o céu estrelado como só vemos em filmes ultimamente, a alegria dos mais "jovens", como o caso do Eduardo e do Mateus, que já tão intimos de todos até de "miojo" um deles era chamado. A palavra abençoadora do Berim, eficaz, atual, e sempre mandando a "real". Em seguida um retrospecto feito pelo presb. Papai (Esequias), que de muitos arrancaram lágrimas, que aliás, sempre soube que eu era chorão, mas não achava que era tanto, mas, que trouxeram à nossa memória pessoas que estão desde o início da luta, ainda na UPA, e hoje na UMP que continuam escrevendo sua história, com certeza, todos nós que estivemos lá, saímos diferentes da forma que chegamos. Até nas coisas que aparentemente deram erradas, que foi o ônibus quebrar, deu tudo certo, pq até nisso Deus nos abençoou.

Uma nova família foi criada, pessoas mais chegadas ainda, amigos que se integram a nós, uma galera que se não tinha, passa ter o foco voltado ao Essencial, que vai tentar uma Vida equilibrada, gastar tempo ouvindo os outros... e gente, isso é só o começo, de que podemos começar a viver o céu aqui mesmo, vivendo como Deus quer, uma vida abundante de sua graça. O mais engraçado disso, é que durante todo o acampamento um versículo vinha a minha cabeça e é um dos meus prediletos ... acho que tb deva ser um dos prediletos do Berim. E é nessa certeza que eu vivo a cada minuto da minha vida, e que depois desse acampamento ficou mais latente ainda. "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam." (1 Coríntios 2:9 RA). E o que era só tema do acampamento virou verdade absoluta, novos sonhos surgem em nossos corações, novos desafios começam a ser propostos, tudo porque agora saímos da teoria somente, e temos a certeza de que Juntos somos melhores (Joaber Manhães Sales).


Nossa esse acampamento foi MARAVILHOSOOOOO!!!!!!

Deus é sem palavras, foi tremendo, eu recebi uma palavra que Deus estava falando comigo algum tempo e ela se confirmou nesse acampamento.

Eu não acreditava mais que existiam verdadeiros "irmãos em Cristo" e nesse acampamento eu achei pessoas que sabem viver em uma "Comum-Unidade" encontrei amigos e irmãos!

Eu só posso dizer que foi uma experiência maravilhosa e que valeu muito a pena! Beijos a todos.... (Talita Barreiro).


Eu quero ser um servo melhor, um servo de verdade.

Eu quero me dedicar mais a Deus.

Eu quero deixar que Deus conduza o meu barco.

Eu quero que todos nós sejamos assim, principalmente porque "Juntos Somos Melhores!!!".

Desde de que viemos embora, já estou com saudade do acampamento. Então vamos fazer com que a chama acesa no acampamento, fique cada vez maior e mais forte. Beijos e Abraços! (Alex Coelho).


Nós somos um tanto suspeitos para falar sobre o significado do acampamento, já que participamos deste evento desde os primórdios. Mas, mesmo depois de tantos anos, ainda continua tendo um papel fundamental em nossas vidas.

Frente à oportunidade de estarmos em união com nossos irmãos em Cristo, podendo dedicar a Ele nosso tempo, (tempo esse que equacionamos muito mal para a vida com Deus), o sentimento não poderia ser outro, senão, o de muita alegria e felicidade por participarmos daqueles momentos.

Não tem como falar sobre o acampamento sem falar sobre mudanças no posicionamento de nossas vidas, e mais uma vez, fomos levados a tal reflexão.

Enfim, Deus certamente agiu em nossas vidas, nos aparou as arestas e seguimos mais EQUILIBRADOS, pois O FOCO ESTÁ NO ESSENCIAL. Estamos prontos para os novos desafios e barreiras impostos pela vida, e mais unidos, até porque, JUNTOS SOMOS MELHORES! E por falar nisso, quando será o próximo? Esperamos que ainda este ano! Com muita oração TUDO é possível!!! Beijos! (Raphael e Camila Nóbrega).


O acampamento me serviu de uma lição muito valiosa, muitas respostas pra tudo o que eu precisava estava lá. Isso nunca aconteceu comigo, eu só ouvia as pessoas dizerem que tinha acontecido com elas, mas eu nunca pude sentir tal sensação.

Passei por muitas mudanças esse mês, coisas que me afastaram da igreja, dos amigos e me deixavam triste e confusa...

Depois da viajem, tudo o que eu ouvi era exatamente pra mim!

Achei as respostas que eu precisava, ouvi as lições para minha vida, me incomodei com coisas que havia deixado pra de lado, e ví que meus amigos ainda estavam ali pra me ajudar e me alegrar (Rozana Rocha).


Esse acampamento foi benção pura!!!

As palavras ali faladas tocaram o meu e acredito que o coração de muitas (porque não dizer todas) pessoas que ali estavam.

Acredito que nada é por acaso e que Deus está sempre no controle de tudo, por isso digo pq quando estávamos lá na igreja para ir viajar, fiquei um pouco triste pela quantidade reduzida de pessoas, mas Deus tocou meu coração e eu percebi que as pessoas que estavam ali eram as pessoas escolhidas por Ele para estarem conosco naquele fim de semana tão abençoador!!!

Agradeço a Deus por ter tocado em meu coração em cada louvor, em cada oração, em cada abraço, em cada risada (que foram muitas... Rs...), até o ônibus quebrado foi uma benção, por que podemos ficar um pouco mais tempo juntos... QUERO MAIS!!! Hahaha!!! Beijão galera e fiquem com Deus!!! (Larissa Régly)

E se rolar o sofrimento?

"Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho …." (Rm 8:29).

Gostaria de para começar essa nossa conversa, levantar algumas perguntas importantes para a nossa reflexão:
  • Jesus sofreu como eu e você sofremos?
  • Ele se sentiu solitário algumas vezes?
  • Ele foi tentado a estar desmotivado?
  • Ele foi mal-entendido e criticado injustamente?
Se você assistiu ao filme de Mel Gibson, The Passion of the Christ (A Paixão de Cristo), então você já sabe que a resposta para essas perguntas é SIM. Por isso, o que faz qualquer um de nós pensar que estaremos imunes ao sofrimento e à solidão, desencorajados, ou recebermos críticas injustas?

A verdade é que Deus desenvolveu dentro de você o caráter de Cristo e, para fazer isso, Ele leva você a experimentar todas as circunstâncias da vida pelas quais Jesus também passou. Isto significa que Deus está mais interessado em seu caráter do que em seu conforto, Ele está mais preocupado com sua santidade do que com sua felicidade. Assim, a nossa pergunta não deve ser: “e se eu passar pelo vale da sombra da morte?”…; mas o certo deve ser “e quando eu passar por este vale…?”.

Agora vem outra pergunta: O nosso Deus pode causar tragédias? A resposta é não. Deus é bom, Ele não pode causar o mal ou fazer o mal. Mas com certeza Deus pode PERMITIR E USAR esses momentos escuros e estressantes para o nosso bem. Ele deseja usá-los para ajudar você a se tornar semelhante a Cristo em caráter.

Então, o que devemos fazer quando tivermos de atravessar tempos difíceis em nossa vida? Vamos ver algumas claras lições que o Salmo 23 trás pra gente:
  1. Recuse-se a ficar desencorajado. Davi disse: “…não temerei perigo algum…” (Sl. 23:4) Isso implica uma escolha, um ato de decisão. Nas últimas 12 horas da vida de Cristo, você vê claramente que Ele fez uma ESCOLHA para seguir a vontade de Deus; Ele fez a ESCOLHA de enfrentar o medo; Ele fez a ESCOLHA de ignorar o desespero.
  2. Lembre-se que Deus está com você em TODOS os momentos. Davi disse: “…pois tu estás comigo…” (Sl. 23:4) Deus não apenas promete Seu poder; Ele promete Sua presença. Nunca entramos sozinhos no vale escuro. Jesus sabia que não estava sozinho quando estava na cruz.
  3. Lembre-se que “Deus proverá”. Davi afirmou: “O Senhor é meu pastor e NADA me faltará” (Sl. 23.1). Além da presença do Senhor que se faz presente em meio ao nosso sofrimento, nós podemos contar com a Sua provisão. Ele proverá toda e qualquer solução, Ele abrirá as portas, lhe mostrará uma direção e suprirá todas as suas necessidades.
  4. Descanse na proteção e na orientação de Deus. Davi disse no Salmo 23:4 que a vara e o cajado de Deus o confortava. A vara e o cajado são ferramentas comuns usadas para proteger e guiar a ovelha. Deus vai estar com você, Ele vai lhe proteger e guiar. Jesus poderia ter chamado a proteção de 10.000 anjos; poderia ter levado seus discípulos às armas; em vez disso, Ele descansou em Deus, pois ele sabia que Deus iria protegê-lo e guiá-lo.
  5. Lembre-se do seu futuro. Davi afirma: “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida…” E ele ainda diz mais: “…e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”. Nós cristão temos o privilégio de podermos em meios as crises e dificuldades de nossas vidas levantarmos a nossa cabeça e olharmos adiante. Podemos lembrar que por mais dura que seja a realidade que vivenciamos hoje, certamente haverá um amanhã de alegria e muita felicidade para todos nós. “O choro pode durar por uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo. 30.15). “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jeremias 29:11).
Não importa quem você seja, se você crê ou não, todos passamos por momentos de dificuldades. A diferença para o cristão não é a ausência das sombras, mas a presença da Luz em meio as trevas. Fique tranqüilo, pois o melhor ainda está por vir! Que Deus te abençoe!

Bel. André Monteiro
É webdesigner, secretário sinodal de adolescentes do Sínodo do Rio de Janeiro e Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. Ashbel Green Simonton. Hoje atua na liderança e pastoreio da juventude da IP Botafogo e também é professor da Escola Bíblica Dominical da UPA e UMP-Botafogo. Para falar com o Bel. André basta enviar um email para albmonteiro@gmail.com

Quando não há mais ninguém...

Em nossa vida cristã nos deparamos com situações e momentos em que sentimos que não existe mais ninguém a quem possamos pedir ajuda ou somente falar.

Por várias razões. Talvez porque o desafio ou problema seja tão grande que saibamos que nem adianta falar com alguém pois só um milagre de Deus pode nos ajudar. Ou porque não tenhamos mesmo ninguém perto para dizer o que sentimos e o que queremos dizer. Em outros momentos as emoções são tão profundas em e enraizadas no mais profundo esconderijo de nossa alma que nem conseguimos espressar! Até mesmo quando temos alguém fisicamente ao nosso lado.

Durante a vida caminhamos através de relacionamentos. Primeiro com nossos pais e familiares e depois com amigos, colegas de escola, amigos da rua, vizinhos, irmãos da igreja e por ai vai.

Porém, existe sempre um momento em que sentimos que não há mais ninguém por perto para “aquela” conversa que pode expor a nossa alma! Eu sempre me lembro de Pedro dizendo ” para onde iremos Senhor, se so Tu tens Palavra de vida eterna” Para onde iremos….

Minha banda preferida Thrid Day tem uma musica chamada “Cry out to Jesus” onde eles nos lembram de tantas situações e sofrimentos que não apenas nós mas muitas pessoas passam em toda a terra. E no fim a resposta é nada mais do que ésta “clame a Jesus”.

Quando ninguem mais puder ajudar e talvez ouvir até o que não pode ser dito a única saida é Clamar a Jesus!

Mas ai me pergunto: “E aqueles que não conhecem a Jesus?” Como eles vao clamar por alguém que não conhecem?

Como nós somos afortunados. Como somos abençoados! Comos somos agraciados por Deus com tamanho Dom que é a Salvação! Pois quando não houver ninguém vamos sempre poder buscar a Jesus.

[Via News from the field]

2 de jul. de 2007

Tudo Ter, Nada Possuir

Paradoxo é uma figura de linguagem que apresenta uma aparente contradição, como por exemplo a famosa expressão “é dando que se recebe” ou a advertência de Jesus afirmando que “ganha a vida quem a perde por amor a Ele”.

Reino de Deus é um conceito do cristianismo, semelhante a reino dos céus, e até mesmo céu. O reino de Deus pode ser o ambiente onde a vontade de Deus é feita na terra como no céu, ou também uma qualidade de relacionamento com Deus, onde aquele que participa do reino de Deus não vive mais para si mesmo mas para o próprio Deus, e, finalmente, o status de uma realidade, isto é, o reino de Deus está onde as coisas são exatamente do jeito como Deus quer que sejam.

Experimentar ou participar do reino de Deus, portanto, é viver para Deus e sob o cuidado de Deus, promovendo a vontade de Deus em todos os ambientes de nossa influência, de modo que a realidade vá se tornando cada vez mais como Deus quer que ela seja, até que toda a terra se encha do conhecimento da glória de Deus como as águas cobrem o mar.

Os paradoxos do reino de Deus são que quando passamos a viver para Deus, abrimos mão de tudo quanto temos e somos, e, em vez de ficarmos com nada, ficamos com tudo, pois quem está sob o cuidado de Deus, de nada tem falta, de modo que temos tudo, mas vivemos como se nada tivéssemos, pois quem vive para Deus não está apegado a nada, senão ao próprio Deus.

O discipulado de Jesus Cristo implica ter tudo em Deus, mas viver como se nada tivesse, desapegado de tudo, olhando para tudo que é seu como se seu não fosse, colocando tudo o que tem a serviço dos interesses de Deus, para que em todas as coisas a vontade de Deus prevaleça e o mundo se encaixe nos propósitos de Deus. Assim viviam os cristãos do primeiro século: “da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham”; “os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum... vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade”; “quem tinha recolhido muito não teve demais, e não faltou a quem tinha recolhido pouco”.

O discipulado de Jesus Cristo implica nada ter, mas viver como se tudo tivesse, andando em segurança, pois aquele que tem a Deus, de que mais necessita? Assim ensinam as Sagradas Escrituras: “O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta”; “Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá: ele deixará claro como a alvorada que você é justo, e como o sol do meio-dia que você é inocente. Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros”; “Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam”; “Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. Observem as aves do céu, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?”; “... Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus”.

Ed René Kivitz

17 de jun. de 2007

Quem Ama Sangra

Ele olhou ao redor da montanha e previu uma cena.
Três corpos pendurados em três cruzes. Braços estendidos.
Cabeças inclinadas para frente.
Eles gemiam por causa do vento.
Homens fardados estavam sentados no chão, perto dos três.
Homens com roupas de religiosos se afastaram para o lado... arrogantes, convencidos.
Mulheres envolvidas em sofrimento estão reunidas ao pé da montanha... rostos marcados pelas lágrimas.
Todo o céu se levantou para lutar.
Toda a natureza se ergueu para o resgate.
Toda eternidade posicionou-se para dar proteção.
Mas o Criador não deu ordem alguma.
"Isso deve ser feito...", disse, e retirou-se.
O anjo disse outra vez: "Seria menos doloroso se..."
O Criador o interrompeu brandamente: "Mas não seria amor..."

(autoria desconhecida)

17 de mai. de 2007

A visão de Deus

"Então eu disse: Ai de mim. Estou perdido, porque sou homem de lábio impuros, habito no meio de um povo de impuro lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos".

(Isaías 6:5)

Todo cristão crê em Deus como o seu Salvador e Criador de todas as coisas. Essa crença é pela fé, que se define como crêr em algo que não se pode ver. Não podemos ver Deus, mas cremos que Ele é Onipotente, Onipresente e Onisciente e que sempre está ao nosso lado nos protegendo e nos guardando. É assim a nossa visão de Deus, porém Isaías teve uma visão mais real e gloriosa, mas, ao mesmo tempo, percebeu que ele nào era digno de ter aquela visão, pois seus pecados cairam sobre si, e ele sentiu-se perdido, achando que iria morrer. Muitas pessoas já passaram por situação semelhante a essa, não que achassem que iriam morrer, mas por não se sentirem capacitadas para atender a um chamado de Deus. Foi assim com Moisés quando Deus mandou que ele falasse ao povo, com Jeremías na sua chamada, e Isaías que achou que sua vida terminaria ali por causa dos seus pecados. Deus é sábio e poderoso, por isso quando Ele nos chama para uma determinada tarefa, devemos ter a certeza que Ele já nos capacitou para executá-la, por isso é preciso estar pronto para dizer: "eis-me aqui Senhor, envia-me a mim".

A visão do Senhor não traz a morte, ela traz a vida, e vida renovada, pois a iniquidade é tirada e os pecados são perdoados. Mas, será que estamos todos prontos para esta visão?

Paulo Nascimento
É Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. Ashbel Green Simonton e hoje atua como professor da Escola Bíblica Dominical da UMP e Diácono na IP Botafogo.

13 de mai. de 2007

FELIZ DIA DAS MÃES!!!

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*Entrevista:

Euza Lidório: Uma Mãe Missionária
Conversar com Euza Lidório é uma lição de vida. Em cada frase ela nos ensina algo. Isso, de forma natural e simples, quase como quem não percebe que está sendo mestre. A impressão que tive é que ela foi assim por toda a vida, ensinando os filhos, seus 'alunos' mais chegados. As lições, ela as aprendeu com seu Mestre: Jesus. Euza nasceu em 1934, em Porteirinha, norte de Minas Gerais. Aos 18 anos, casou-se com Gedeon José Lidório, com quem teve quatro filhos. Juntos, eles plantaram mais de 100 igrejas pelos interiores do Brasil, durante 36 anos de ministério, acompanhados por 40 mudanças. Nesta entrevista exclusiva à Raio de Luz, ela fala sobre esses tantos anos de ministério itinerante, sobre família, criação de filhos, desafios dos campos não alcançados e intercessão. Hoje ela coordena o Ministério de Intercessão pelas Nações, que envolve cerca de três mil e quinhentas pessoas nas várias regiões do Brasil. Seu testemunho de vida é marcante. Impossível ouví-la e não sentir vontade de conhecer mais a Deus e serví-lo com mais fidelidade.

Como foi o início do seu ministério?
Comecei o ministério com o meu marido, Gedeon José Lidório. Nós fomos enviados a várias cidades do Brasil. Nosso trabalho era plantar igrejas, e foi isso que fizemos durante 36 anos até 1993, quando ele faleceu. Foram anos de muita luta e de muita bênção. Junto com as tarefas das congregações, eu tinha também que cuidar dos meus filhos.

Os dois primeiros, Eudalva e Gedeon Júnior, acompanharam as fases de mais dificuldades. A vida missionária tem que ser levada com muita dependência e obediência, assim, íamos a qualquer lugar que a missão nos enviasse. Muitas vezes, fiquei em cidades cozinhando com lenha, não havia água encanada ou eletricidade. Isso não era na África não! (risos) Era no Brasil mesmo, em terras onde não se havia pregado o Evangelho.

Nossos filhos mudaram de colégio inúmeras vezes, mas, com a graça de Deus, eles nunca perderam nem um ano de escola. Muitas vezes passamos por privações financeiras, nessas épocas tínhamos na dispensa somente o necessário. Passávamos anos sem algumas comidas mais caras. Outras vezes não tínhamos remédios, porque o lugar onde vivíamos era muito afastado de hospitais ou farmácias. Também passamos por situações que exigiam um tanto de coragem. Uma vez estava em um avião e tivemos que usar uma estrada para aterrisar e decolar, porque não tinha outro lugar.

Como a senhora vê a formação cristã na vida dos filhos?
Parece haver muitos filhos que se afastam do Evangelho quando adultos. A instrução dos filhos é diária. Deve ser regada com amor e sabedoria, mas sobretudo com a Palavra de Deus.

A criança que é criada num lar comprometido com Deus, é feliz e não vai se desviar, na fase da adolescência pode haver conflitos, o que é muito natural, mas a Palavra que foi plantada vai germinar, ainda que pareça demorado aos nossos olhos. Lembro-me de um episódio que ilustra bem o que quero dizer. Quando Gedeon Júnior estava com um ano, recebi a visita de dezesseis pessoas na minha casa. Eu não tinha empregada. Precisava cuidar dele e preparar tudo para receber as pessoas. Logo neste dia ele não queria comer. Eu insistia com amor, mas ele não abria a boca. Então, ele me olhou fechou os olhos, abaixou a cabeça e juntou as mãozinhas para orar. Com tanta correria, eu havia me esquecido de orar, mas ele não! Aquele acontecimento foi uma prova de que mesmo muito pequena a criança guarda o que nós a ensinamos.

Outra vez, foi quando Ronaldo estava com febre. Ele tinha três anos de idade e eu não podia comprar remédio, porque não havia onde. Eu disse a ele que não tínhamos remédio, então eu ia orar, e Papai do céu iria curá-lo. Eu orei com ele. Logo que terminei ele abriu os olhos e me disse: "Já sarei." A febre tinha passado mesmo. Não tenho palavras para agradecer a Deus.

E a senhora os ensinou a fazer missões?!
Acredito que sim... Deus, através da vida que levávamos, ensinou isso. Eles andavam conosco para todos os lugares. Viram a fidelidade de Deus e aprenderam a serví-lo. Hoje, os quatro têm ministérios organizados. Gedson e Gedeon Júnior são pastores, Eudalva é missionária e Ronaldo também. Já tenho um neto muito envolvido com o ministério. Ainda bem que sempre me preparei para deixar os filhos seguirem os caminhos do Senhor, que podem ser bem longe de mim.

Isso deve ser difícil...
É. Envolve muito choro, muita dor, muita oração. Não é nada fácil, mas temos que nos conscientizar que os filhos não são propriedade dos pais, eles são herança do Senhor, tem as suas próprias vidas, sua própria missão a seguir.

Se os pais não entendem isso e tentam impor sua vontade, os filhos têm muitas chances de serem infelizes. Deus tem o melhor para nós. Eu vivo isso na minha vida, apesar de todas as dificuldades, sou uma pessoa realizada, feliz, pois sei que Deus está realizando sua vontade na minha vida e na dos meus filhos e netos. Ronaldo, por exemplo, já foi preso pelo Sendero Luminoso, no Peru, teve vinte malárias na África e ficou com tuberculose óssea.

Ele veio ao Brasil por causa dessa doença, ficou sarado. Muita gente pensou que ele não iria voltar, mas eu sempre soube que ele voltaria, porque a Missão dele é lá, pelo menos por este período da vida dele. Tanto ele quanto Rossana, sua esposa, tiveram malária cerebral, que é gravíssima, mas ficaram curados. Ronaldo Júnior também teve malária cerebral, logo no início deste ano. Então eu orei. Clamei aos céus, também chamei muitos participantes do Ministério de Intercessão pelas Nações para orar. Ronaldo Júnior foi curado, graças a Deus. O ministério é mesmo cheio de lutas, mas não podemos parar.

Como nasceu o Ministério de Intercessão pelas nações?
Foi pouco depois que meu marido faleceu. Eu tive oportunidades de continuar trabalhando com igrejas, como no ministério que trabalhamos juntos. Mas vi que tinha agora outro ministério. Ronaldo estava na África e isso me incentivou muito a orar com mais intensidade pelos missionários, não só pelos meus filhos, mas por todos os que estão no campo missionário nas mais diversas partes do mundo, na seara do Senhor.

O ministério foi crescendo, com a bênção de Deus. Somos pessoas mobilizadas para oração. Atualmente cerca de três mil e quinhentas pessoas estão envolvidas na nossa rede de oração. Distribuímos mensalmente quase quatrocentos calendários de oração, que são reproduzidos pelos vigilantes(é assim que nos chamamos). Nosso lema é: De joelhos, alcançando as nações para Jesus. Rossana sempre me fala da importância da intercessão. Levar o Evangelho é lutar contra o mal, lutar contra o Diabo pelas vidas. É algo muito sério e de muita responsabilidade.

Temos visto isso no nosso ministério e agradecemos a Deus por cada pessoa que faz parte dele e por todas as respostas alcançadas, mesmo quando parecem não ser boas aos nossos olhos, mas sabemos que é a vontade de Deus.

Há muitos pais que têm coragem de entregar seus filhos a Deus para fazerem missões?
Não sei se há muitos. O que posso dizer é que sinto ainda muita resistência por parte dos pais. Vejo muitos jovens que querem dedicar suas vidas Deus, ir a lugares não alcançados, ou fazer missões mesmo no Brasil. Os pais fazem seus próprios planos para os filhos, mas o que precisam é lembrar que Deus é quem tem o melhor para nós. Os planos de Deus sempre são os melhores. E nós devemos dar o nosso melhor para Deus, a nossa vida, os nossos bens, nossos talentos e deixar que nossos filhos façam o mesmo.

Como os jovens devem agir diante de atitudes como esta?
A Bíblia diz que os jovens devem honrar seus pais. É assim que os jovens devem agir. Missões não é aventura e não é fácil. O jovem que se dispõe a obedecer o chamado de Deus deve saber disso e deve ter sabedoria para agir corretamente, falar com os pais a respeito do chamado que tem. Mas, antes de tudo, ele deve falar à Deus sobre os pais. Se houver dificuldades, Deus vai dar a direção específica a cada um, e principalmente, Ele vai dar paz a respeito de o que fazer, pois a Bíblia diz que a paz é o árbitro, ou seja, ela dá a palavra final, e quando vem de Deus, é sem erro.

Como as igrejas têm acompanhado seus vocacionados, seminaristas?
Algumas dão muito apoio. Mas vejo um grande problema, que existe há muito tempo. Muitas igrejas ouvem o vocacionado, chamam à frente da congregação, impõem as mãos, oram por ele e mandam ir... Mas ir para onde, com que preparo? E os seminaristas? Que provações passam... Há tantas igrejas que se comprometem e depois parecem simplesmente se esquecer do compromisso que fizeram. Isso é muito grave.

É um compromisso com Deus! Muitas gastam dinheiro com coisas supérfluas e não gastam nada com missões. É algo triste. Louvo a Deus pelo apoio que Ronaldo tem. Durante o preparo também é imprescindível o apoio em oração, aconselhamento e sustento para o vocacionado. Oro para que nossas igrejas despertem para essa realidade. Se você tem um seminarista na sua igreja, por favor, se importe com ele, ore por ele, pergunte se ele precisa do seu apoio em algo específico e faça o que Jesus gostaria que você fizesse.

Como a senhora vê os frutos do seu ministério?
Eu e Gedeon semeamos e colhemos muitos frutos. É o Senhor que dá o crescimento e a graça dele em nossas vidas. Quero louvar a Deus por tudo o que Ele já fez na minha vida e por continuar me usando, com a sua graça. Só à Ele a glória.

***Obs. Euza Lídório é mãe de um dos missionários presbiterianos mais conhecidos de todo Brasil - Rev. Ronaldo Lidório.

Ministério de Intercessão pelas Nações
De joelhos, alcançando as nações para Jesus
R. Antonio Cavalcanti de Oliveira, 368, Apt 901,
Candeias, Jaboatão dos Guararapes - PE
CEP 54440-351
Telefone: (81) 3469-314
E-mail: rlidorio@hotlink.com.br

FONTE: Raio de Luz

7 de mai. de 2007

Devocional X Evangelismo : um depende do outro?

Quero responder a esta pergunta propondo uma outra: como nos sentiríamos se fossemos convidados a apresentar a um grupo de pessoas, alguém que não conhecemos? Sem dúvida nossa tarefa seria bem difícil devido a este desconhecimento. No evangelismo acontece o mesmo, voce pode decorar versículos para as mais diversas situações, pode até decorar 500 técnicas de abordagens evangelísticas e 18000 respostas para perguntas díficeis. Mas não podemos confundir evangelização com aberturas de xadrez; saiba que, para cada pergunta sempre haverá uma resposta e para cada resposta sua, sempre haverá uma boa pergunta; este é o limite da apologética. Sendo assim precisaremos estar bem seguros quanto ao que, em nosso caso a Quem, devemos apresentar em nossa prática de evangelização.

Usando outro exemplo; eu posso não saber os nomes dos meus bisavós mas isso não impede que eu possa apresentar meu pai a qualquer pessoa, a razão para isso é simples: posso não ter todas as informações relacionadas a minha familia mas conheço suficiente ao meu pai para apresentá-lo. Pegou a idéia? Voce pode não saber de cor a genealogia de Jesus mas deve ter um relacionamento pessoal com ele que o capacite a apresentá-lo. Os apóstolos disseram desta forma; “não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” ( At. 4.20 ).

Isto levanta a questão sobre o que temos visto e ouvido e como isto nos impulsiona a evangelização. Quando reduzimos a evangelização a técnicas de abordagem, a respostas inteligentes para perguntas dificeis, ou a mensagem do Evangelho a uma teoria sobre Jesus Cristo; perdemos o ponto. O Reino de Deus é relação e o Evangelho é o relato do que Deus fez (e faz!) em Cristo para viabilizar esta relação do ser humano com Deus, do ser humano consigo mesmo, do ser humano com seu próximo, do ser humano com a criação e até da criação com a própria criação. Tudo que o pecado afetou pode ser restaurado, reconciliado por meio do que Deus fez em Cristo na Cruz (Col 1. 19-20). E aqui estamos diante da difícil questão; é isso o que temos visto e ouvido? Todas as coisas sendo reconciliadas em Cristo! É isto que demonstra a nossa vida comunitária em nossa igreja local? É isso que apresenta minha vida, como resultado da minha decisão de seguir a Jesus Cristo?

Chegamos ao ponto onde podemos relacionar a questão da evangelização com nossa vida devocional. Em primeiro lugar é importante afirmar que nossa vida devocional não se limita a uma dimensão de minha vida privada restrita aos tempos tranquilos de oração e leitura bíblica. Minha vida de comunhão com os irmãos é fundamental para uma vida devocional saudável. Fomos salvos para fazer parte de um povo, de uma nação eleita de uma comunidade. Quando oramos o Pai Nosso, devemos manter nossa atenção para o fato de que o Pai é nosso e não meu. Uma vida devocional que se imagine “independente”da qualidade de nossa relação comunitária no Corpo de Cristo, ou seja, nossa igreja local (para ser mais específico), é o mesmo que um velocista que decide usar somente uma das pernas para correr quando dispõe de duas para enfrentar seu desafio.

Sei que viver com os irmãos no céu é glória e que viver com os mesmos irmãos na terra é outra estória, no entanto parte da minha vida devocional é a capacidade de perdoar e de ser perdoado. Ninguém escapa do desafio de expressarmos, na história, os benefícios da cruz de Cristo, ao fazer de um grupo de pecadores um só povo. Povo que vive (deveria viver) hoje, na história, os sinais do que será perfeito um dia quando nosso Senhor retorne.

Quando entendemos que nossa vida devocional começa primeiramente na esfera da vida comunitária podemos dar um passo adiante para o aspecto da vida privada. Nunca é demais lembrar que esta dimensão particular da vida não significa isolacionismo individualista, vivemos no corpo de Cristo e mesmo quando estamos sós, ainda estamos no Corpo de Cristo. Estou frisando muito este aspecto porque creio que, uma das maiores deficiências que encontramos na Igreja Evangélica no Brasil (para não falar de outros), é a compreensão que temos de vida comunitária. Confessamos que cremos na Trindade e não temos muita idéia do que isso significa para a vida da igreja. Voltando a dimesão privada da vida devocional quero dizer que, será nossa experiência diaria de obediência a Jesus Cristo que nos permitirá conhece-lo cada vez mais. Em diferentes situações e contextos suas promessas, orientações e consolo nos levará a uma maior intimidade com Ele.

Perceba bem que enfoquei o aspecto obediência e não a oração e a leitura bíblica. Por que será? Porque podemos ter leitura biblica sem obediência e oração que expresse nossos motivos errados, que visem nossos próprios prazeres (Tg 4.3). Assim como o povo de Israel, segundo o relato do primeiro capítulo de Isaias, podemos ter uma “prática espiritual” que expresse distância de Deus e não proximidade. Uma vida devocional que expresse indiferença e não intimidade, como o que aconteceu com a Igreja em Laodicéia (Ap.3.14). Se nossa vida devocional for marcada pela a famosa advertência de Tiago 1.22, de sermos praticantes e não meros ouvintes (enganado-nos a nós mesmos) as promessas bíblicas indicam que seremos íntimos do Senhor. Vejamos algumas destas promessas: “O Senhor confia os seus segredos aos que o temem e os leva a conhecer sua aliança” Sl.25.14; “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele.”Jo 14.21; “Voces serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno”. Jo 15.14

Isso é tudo que precisamos; amigos de Jesus Cristo que apresentem de forma viva o que tem visto e ouvido! Aquele que no passado nos falou “muitas vezes e de muitas maneiras aos nossos antepassados pelos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho” (Hb 1.1) que nos dá a conhecer em sua Palavra o que nos torna sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus (2Tm 3.15), pois; “não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”(At4.12).

Devocional e Evangelismo estão portanto viceralmente ligados pois, não podemos apresentar alguém que não conhecemos. Em se tratando do Senhor Jesus Cristo, não o conheceremos sem uma vida marcada pela obediência a sua Palavra. Esta vida de obediência deve ser expressa numa vida devocional, comunitária e privada, pois este Evangelho é o Evangelho da reconciliação, o Evangelho do Reino de Deus.

Ziel Machado
É pastor da igreja metodista-livre e trabalha há 27 anos no ministério estudantil, onde exerce a função de secretário para a América Latina da CIEE. Baixe outros textos do autor: "De Corazón a Corazón" (em espanhol); "O Foco da Missão" e o "Pacto de Iatici" (Obs. Todos os textos foram disponibilizados pelo próprio autor para a publicação no nosso blogger).

27 de abr. de 2007

Vocação (Por Henri Nouwen)

Um excelente texto para nossa reflexão:
Não é fácil distinguir entre fazer aquilo para o qual fomos chamados e fazer aquilo que desejamos. Nossos muitos desejos podem facilmente desviar-nos do curso da nossa ação verdadeiramente necessária. A verdadeira ação leva-nos ao cumprimento de nossa vocação. Trabalhando em um escritório, viajando pelo mundo, escrevendo livros ou fazendo filmes, cuidando dos pobres, liderando pessoas ou cumprindo tarefas comuns, a pergunta não deve ser: "Qual é o meu maior desejo?", mas sim: "Qual é a minha vocação; qual o meu chamado?".

A posição de maior prestígio na sociedade pode ser uma expressão de obediência ao nosso chamado, ou de sua negação, uma recusa ao verdadeiro dever. E a posição de menor prestígio pode ser a resposta ao nosso chamado, ou uma forma de evitá-lo...

Quando estamos submetidos à vontade de Deus e não à nossa própria vontade, descobrimos que grande parte do que fazemos não precisa ser feito por nós. O que fomos chamados a fazer nos traz alegria e paz...

Ações que levam ao excesso de trabalho - à exaustão e à destruição - não podem louvar e glorificar a Deus. Aquilo para o que Deus nos chama, não só pode ser feito, como trará satisfação. Ouvindo em silêncio a voz de Deus, e falando com nossos amigos, podemos saber, com confiança, o que fomos chamados a fazer; e o faremos com um coração agradecido.


(Henri Nouwen)

24 de abr. de 2007

Missão Integral

*Por Osmar Ludovico da Silva


Deus criou o homem com uma tríplice natureza: corpo, alma e espírito. Na tradição hebraica e cristã estes três aspectos da natureza humana são absolutamente inseparáveis e interligados. Corpo, alma e espírito se interpenetram e formam uma unidade.

Muitas vezes usamos a expressão “salvar almas”. Trata-se de um equívoco, pois as Escrituras nos afirmam que todos ressuscitarão e a vida eterna será vivida no corpo. O corpo é tão importante que até mesmo Deus se esvaziou e assumiu a forma humana em Cristo Jesus.

Assim a Igreja é chamada a proclamar o Evangelho a todo homem e ao homem todo, em todo lugar. É chamada a espalhar as boas novas da salvação, mas também trazer alívio ao que sofre e buscar para ele justiça e meios de uma vida digna.

Em Mateus 4.23-24 lemos: “Percorria Jesus toda a Galiléia ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. E a sua fama correu por toda a Síria; trouxeram-lhe, então, todos os doentes, acometidos de várias enfermidades e tormentos: endemoninhados, lunáticos e paralíticos. E ele os curou”.

Vemos neste texto Jesus Cristo ministrando ao homem todo, na sua dimensão espiritual, mental e física. Ele não só pregava o Evangelho como também ensinava, isto é explicava e expunha a Palavra. Ele também libertava da patologia espiritual as vítimas de possessão (endemoninhados), curava os doentes mentais (lunáticos) e ainda os acometidos de enfermidades físicas (paralíticos).

Quando o homem e a mulher pecaram no Jardim do Éden eles perderam a saúde espiritual, psíquica e física. Jesus Cristo vem para salvar e restaurar o homem em todas as dimensões, revertendo os efeitos da queda. Ele faz isto através da sua encarnação, da sua morte na cruz e da sua ressurreição.

Assim, não se trata só de salvar almas, mas salvar homens e mulheres na sua integralidade, seu ser completo. A missão de Cristo, cuja proclamação ele confiou a sua Igreja, é a de resgatar o homem todo.

Em Lucas 4.18 lemos: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres e enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos”. Aqui também Jesus Cristo no início de seu ministério define sua missão: evangelizar, libertar e curar. Os pobres são os destituídos de condições mínimas de subsistência. Os cativos são as vitimas de sistemas injustos e opressores e os cegos aqueles acometidos de enfermidades físicas.

Jesus Cristo multiplica pães para atender os famintos, cura os enfermos, expulsa demônios e anuncia a salvação. Seu ministério envolve a biologia, o psiquismo e o espírito humano. A missão integral se articula nestes três níveis indo ao encontro das necessidades humanas, levando através do Evangelho salvação, alívio, libertação e cura.

Somos chamados por Cristo a nos envolver com a humanidade minorando seu sofrimento através de ações humanitárias, promovendo o desenvolvimento, buscando a justiça. Em todas estas circunstâncias anunciamos o arrependimento e a fé em Cristo para a salvação eterna.

A Igreja certamente tem um papel fundamental no nosso país como instrumento de transformação, desenvolvimento e justiça, através de uma evangelização acompanhada de ações sociais, educacionais e de cidadania, restaurando o homem brasileiro em todas as suas dimensões.

Outro lado desta mesma questão é a afirmação das Escrituras que a fé sem obras é morta. Somos chamados a crescer na vida espiritual, nas disciplinas da oração e leitura bíblica, a nos envolver com a missão de Cristo e a praticar boas obras de justiça. As boas obras que Deus espera que pratiquemos dizem respeito a ouvir o clamor dos que sofrem, ir ao encontro deles, levando alívio e esperança, e também buscando para eles justiça e dignidade.

16 de abr. de 2007

Juntos Somos Melhores!!!

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Tecnologia e alta eficiência no mercado de trabalho trouxeram muitos benefícios, mas também acarretaram conseqüências onerosas. Enquanto lidamos, por exemplo, com inundações de e-mails e correio de voz e a responsabilidade crescente em nosso emprego, nossa capacidade para desenvolver e manter amizades permanentes enfrenta, a cada ano, maiores desafios.

Um fator importante, geralmente esquecido em nossa busca incansável por sucesso, é que realização e triunfo usualmente resultam do trabalho conjunto de pessoas que compartilham seus talentos e habilidades, na busca de uma missão comum.

Na Bíblia, há um relato conhecido sobre um momento em que Jesus visitou a casa das irmãs Maria e Marta. Esta era perfeccionista e gastava muito tempo trabalhando... Enquanto isso, Maria, ao contrário, preferia, sentar-se aos pés de Jesus, devotando tempo para simplesmente estar com o seu Senhor.

Marta se aborreceu muito com a irmã por não ajudá-la com os preparativos. Não podemos culpá-la. Obviamente havia muita coisa a ser feita e a ajuda da irmã era bem-vinda. Aparentemente ela ficou aborrecida também com Jesus, por não ter repreendido Maria e dito a ela que se ocupasse de alguma tarefa.

Em atenção à queixa de Marta, Jesus agiu de modo surpreendente: “Respondeu o Senhor: Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lucas 10.41).

Pensando nesse relato, podemos entender que os relacionamentos que cultivamos são mais significativos e mais importantes do que as tarefas que realizamos. Cumprir metas é muito importante, mas precisamos nos lembrar do valor dos relacionamentos e reconhecer quando importa mais colocar de lado os projetos, mesmo que por instantes, e investir tempo com um amigo. Nosso trabalho sempre estará esperando por nossa atenção e ação. Mas negligenciar amizades pode enfraquecê-las e até mesmo matá-las. Pense nisto: “Há alguma amizade que você precisa resgatar hoje?”

Para saber mais sobre o "Acampamento de Inverno 2007" clique aqui!

Ansiedade: Você também tem?

Ansiedade... “Eu digo a vocês: não andem ansiosos pela vida... Não fiquem inquietos e perturbados por causa do dia de amanhã, pois o amanhã trará consigo seus próprios problemas e necessidades; o dia de hoje já é pesado o suficiente para que se antecipe as preocupações do amanhã.” Jesus (Mt 6:25,34)

Todos nós vivemos a vida em três tempos: passado, presente e futuro. Por isso, em certo sentido, o nosso ser é formado pelo nosso eu-passado(quem eu fui), eu-presente(quem eu sou) e eu-futuro(quem eu idealizo que serei). Apesar de viver no presente somos constantemente influenciados pelas sombras do passado e excitados pelas fantasias e preocupações do futuro. Daí nascem as raízes mais profundas da nossa infelicidade: a nossa incapacidade de ser e viver no presente sem precisar recorrer ao passado e ao futuro. Mas também, nasce dessa incapacidade de nos manter no presente, a nossa ansiedade.

A ansiedade, um dos mais terríveis sentimentos a assolar o coração humano, acontece quando o nosso eu-futuro cresce tanto ao ponto de anular o nosso eu-presente. Sendo assim, tudo quanto ainda não aconteceu ocupa toda minha atenção e canaliza toda minha energia. O meu interior é totalmente habitado por ocupações prévias, pré-ocupações, desencadeando uma adrenalina e uma tensão emocional capaz de roubar a paz, sonhos e a serenidade. A ansiedade mata o presente, faz adormecer o hoje, anestesia o agora e em troca, dá vida ao futuro, acorda o amanhã e centraliza-se no depois.

A ansiedade provoca em nossa vida uma reação emocional em cadeia muito perigosa! A ansiedade gera a necessidade de controlar. O controle gera um forte acúmulo de atividades. O ativismo gera uma tendência à manipulação. A manipulação conduz a tentar dar um jeito para que tudo saia do meu jeito. O resultado final, os elos últimos desta corrente, serão a frustração, o cansaço e o vazio!

Mas essa não é a proposta de Deus para as nossas vidas! Ele nos convida a viver a vida longe da ansiedade(não andem ansiosos); sugere que vivamos unicamente o dia de hoje, pois é ilusão tentar antecipar o amanhã, posto que, o único tempo possível de ser vivido é o hoje, o amanhã quando chegar será transformado no hoje (não fiquem inquietos); ainda insiste que enfrentemos os muitos problemas e preocupações de hoje, pois o amanhã trará os seus.

Seguir essa proposta de Jesus é substituir aquela reação emocional em cadeia, por uma reação espiritual: a serenidade, o reverso da ansiedade, nos leva ao equilíbrio de fazer e se ocupar somente do que é possível, este equilíbrio nos conduzirá a aceitar circunstâncias e pessoas, o que nos conduzirá deliciosa descoberta que nem tudo precisa ser do nosso jeito. O resultado final, os elos últimos desta corrente espiritual serão, a paz, o descanso e a presença viva de Jesus no nosso coração!

PASTOR EDUARDO ROSA PEDREIRA é pastor da Comunidade Presbiteriana da Barra da Tijuca e professor da Fundação Getúlio Vargas.

9 de abr. de 2007

Tempo para tudo

Tudo neste mundo tem o seu tempo;
cada coisa tem a sua ocasião.
Há tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derrubar e tempo de construir.
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar;
tempo de chorar e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de afastar.
Há tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
tempo de rasgar e tempo de remendar;
tempo de ficar calado e tempo de falar.
Há tempo de amar e tempo de odiar;
tempo de guerra e tempo de paz.
O que é que a pessoa ganha com todo o seu trabalho? Eu tenho visto todo o trabalho que Deus dá às pessoas para que fiquem ocupadas. Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém não nos deixa compreender completamente o que ele faz. Então entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder. Todos nós devemos comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso trabalho. Isso é um presente de Deus. Eu sei que tudo o que Deus faz dura para sempre; não podemos acrescentar nada, nem tirar nada. E uma coisa que Deus faz é levar as pessoas a temê-lo. Tudo o que acontece ou que pode acontecer já aconteceu antes. Deus faz com que uma coisa que acontece torne a acontecer.

(O texto acima está na Bíblia e se encontra em Eclesiastes 3.1-15).

3 de abr. de 2007

Páscoa: Tempo de Restauração!

Uma das passagens que eu mais gosto em toda a Bíblia é a de João 11.25 quando Jesus se encontra com Marta (que estava muito triste com a morte de seu irmão – Lázaro) e diz a ela: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”. Eu acho fantástico como essa afirmação de Jesus está carregada de significado e de vida para todos aqueles que crêem no seu nome. Na verdade essa afirmação de Jesus nos mostra como a sua capacidade de restaurar não tem limites. Ele estava dizendo (em outras palavras) que o seu poder é mais forte do que o maior de todos os desgastes, que é a morte.

Olhando para os nossos dias, nós podemos ver à nossa volta os inúmeros desgastes que ocorrem no nosso meio. São os desgastes dos relacionamentos, desgaste da família, desgaste físico, desgaste emocional, e até mesmo o desgaste financeiro. Vemos todos os dias pessoas que caminham sem esperança, desestimuladas pelas inúmeras circunstâncias contrárias, e que estão à beira de um grande penhasco. São pessoas que já foram felizes, que já desfrutaram de uma grande alegria e de um enorme contentamento. Que já experimentaram a segurança de uma boa condição financeira, ou quem sabe da segurança de um relacionamento estável. Pessoas que já sentiram em seu coração o pulsar de uma esperança sem precedentes e uma fé inabalável. Mas que graças aos problemas e vicissitudes do nosso tempo se sentem feridos, perdidos e sem perspectivas. São pessoas que sem dúvida, precisam hoje experimentar uma obra de restauração em seus corações. Que precisam sentir a cura, o perdão, e a restauração pelo poder do amor de Deus.

Dessa forma, é muito significativo nos lembrarmos do momento que estamos vivendo... Estamos na páscoa, onde celebramos a morte e ressurreição de Cristo. Esse versículo que lemos retrata o Espírito da Páscoa, pois ele nos remete a fé naquele que foi capaz de morrer, ressuscitar e restaurar o caminho ao Deus que fez todas as coisas. Por isso, experimentar Cristo é acessar o Deus gerador e mantenedor da vida. É estar em contato e entrar em relação com a “Essência Criadora” que é capaz de reparar e recriar qualquer realidade.

Que nessa páscoa você toque em Cristo pela fé, pois Ele esta vivo, ressuscitando e restaurando corações!

Diga não ao desgaste... Ainda há esperança pra você!

Feliz páscoa!

Bel. André Monteiro

Coração Aquecido!

***Um texto muito legal para nossa reflexão (e ação)... Sinceramente, como anda o "Fogo" do nosso coração?


O que precisa ser guardado é a vida do Espírito dentro de nós. Em especial nós que queremos dar testemunho da presença do Espírito de Deus no mundo precisamos cuidar do fogo interior com o máximo cuidado. Não é tão estranho que muitos ministros tenham se tornado casos apagados, pessoas que pronunciam muitas palavras e compartilham muitas experiências, mas nas quais o fogo do Espírito de Deus se extinguiu e das quais não sai muito mais que idéias e sentimentos enfadonhos e banais. Às vezes, parece que nossas muitas palavras são expressão mais de nossa dúvida que de nossa fé. É como se não tivéssemos certeza de que o Espírito de Deus toca o coração das pessoas; então temos de ajudá-lo e, com muitas palavras, convencer os outros do poder dele. Mas é precisamente essa incredulidade prolixa que extingue o fogo.
Nossa primeira tarefa é cuidar fielmente do fogo interior para que, quando for realmente necessário, ele ofereça calor e luz para os viajantes perdidos. Ninguém expressou isso com maior convicção que o pintor holandês Vincent van Gogh:
"Talvez haja um grande fogo em minha alma, contudo ninguém jamais vem aquecer-se nele, e os passantes só vêem uma fumacinha saindo pela chaminé e seguem seu caminho. O que é preciso fazer? É preciso cuidar do fogo interior, ter sal em si mesmo, esperar com paciência, mas com quanta impaciência a hora em que alguém venha e se sente - talvez para ficar? Que aquele que crê em Deus espere a hora que chegará mais cedo ou mais tarde".
(Henri Nouwen)

29 de mar. de 2007

Entra no teu quarto... (Excelente texto!)

Os ensinamentos de Krishnamurti estão em voga. Tenho assistido, pela televisão, a palestras de seus discípulos, expondo seus pensamentos, devotados ao resgate e à propagação de sua doutrina. Escolas teosóficas o citam. Também alguns mestres budistas, da Ioga e da doutrina Zen.

E o que ensinam? Pelo que pude perceber, estão preocupados com uma das enfermidades do homem moderno: a superficialidade. Um homem sem vida interior. Um homem voltado para fora, incapaz de suportar o silêncio, a solitude, o "deserto". Dessa preocupação, surgem escolas voltadas à prática da meditação, caminho para a profundeza interior, envolvendo o silenciar dos pensamentos, do "ego psicológico", silêncio esse que propiciará a harmonização de tudo aquilo que não é caótico e confuso - como o pensamento e o ego -, com o cosmo, entendido esse momento como o encontro com o sagrado, com a religião.

Quedei-me a pensar: têm razão, em sua preocupação. De fato, o homem moderno é voltado para fora, para as coisas, para as ações e realizações, para os bens e seu valor material. Mas esqueceu-se de sua alma. O silêncio já lhe é insuportável, pois teme um encontro com sua alma, sem saber o que lhe dizer. Apressa-se, então, a ligar uma televisão - mesmo que não seja para assistir ao programa -, um rádio, o computador. Isso, se não puder sair rapidamente de casa, ir a um shopping cheio de gente, ou, se for crente piedoso, visitar algum necessitado - tudo, menos ficar sozinho consigo mesmo.

Esses pensamentos me levam ao meu povo. E pensei: como se darão, na vida de um crente, os processos de arrependimento, perdão ou gratidão - para citar apenas alguns fenômenos centrais da vida cristã - sem vida interior, sem uma conversa franca com sua alma? Como seremos convencidos de nosso erro, ou resolveremos nossas dúvidas, sem o diálogo interno entre o "Grilo Falante" e o "Pinóquio"? Reagiremos aos fatos como néscios, para quem o sábio recomenda uma argola no nariz, pela qual seremos conduzidos para todo lado? De onde virão as ações de graça se não dissermos à nossa alma que o livramento não veio de nosso esforço, mas da parte do Senhor?

Comparando Krishnamurti com Davi, percebi uma grande diferença: Davi, acostumado ao "deserto", à solitude do pastor, aprendeu a conversar com sua alma. No entanto, não mantinha conversas "a dois". Sempre incluía um terceiro: Deus. Vi grande vantagem nisso, pois jamais a solidão o levou por caminhos perdidos. A Palavra que ele havia guardado no coração, bem como a presença do próprio Deus, agora lhe seriam guia e companhia nessa conversa com sua alma.

De fato, na dinâmica vida interior desse poeta, ora ele se dirigia à sua alma, ora a Deus. A ela, ele dizia: "por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei" (Sl 42, 5). A seqüência dessa conversa íntima envolve o Senhor - "...lembro-me, portanto, de ti, nas terras do Jordão..." (Sl 42, 6) -, a quem Davi afirma: "fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança, assim é a minha alma para comigo" (Sl 131, 2).

Nossa geração, esquecida desse diálogo interno, abre mão de uma das mais ricas disciplinas cristãs: a oração meditativa; e a entrega a quem medita sem orar; a buscar, quase instintivamente, sobreviver em um mundo tecnológico. Sem ela, dificilmente uma experiência, uma exortação, um ensino, serão incorporados à nossa vida, como algo genuinamente nosso, pessoal.

Estou convencido de que Jesus propunha encontros com nossa alma, ao nos exortar a entrar em nosso quarto e, fechada a porta, orar ao Pai que está em secreto (Mt 6:6). Talvez esse encontro a três nos seja, a nós, seres modernos, apressados e superficiais, mais difícil e temível do que o próprio ato de perdoar.

Por Rubem Amorese
*É presbiteriano, autor de vários livros, presidente da Missão Social Evangélica, diringindo a Comunicarte, sua editora. É atualmente consultor legislativo no Senado Federal e colunista da Revista Ultimato. Veja mais dele em www.amorese.com.br

23 de mar. de 2007

Brincos, piercings, tatuagens e outras coisas...

(***Nota: Galera, achei muito interessante esse artigo e muito bom para nós pensarmos... Um assunto como esse sempre suscita duvidas e as vezes um certo debate. Caso alguém queira deixar a sua opinião basta clicar no link comentários no final desse texto. Abraços! Bel. André Monteiro - albmonteiro@gmail.com)

É impressionante a constância com que recebo cartas e mais cartas perguntando se usar brincos é pecado, se colocar piercing é pecado, se fazer uma tatuagem é pecado. Em primeiro lugar nós precisamos entender o que é pecado. Pecado é uma palavra mal usada e usada constantemente. Em geral tudo o que não gostamos e vemos alguém fazendo vamos logo catalogando de pecado. Assim, pecado é aquilo que eu não gosto.

1. O que é pecado?

Segundo o Novo Dicionário Aurélio e o Dicionário Houaiss da língua portuguesa: 1. Transgressão de preceito religioso. 2. Por extensão de sentido: desobediência a qualquer norma ou preceito; falta, erro; culpa, vício: os pecados da juventude. No site da Missão Evangélica do Brasil temos a seguinte resposta para esta pergunta:
  • É qualquer desobediência à Lei divina: 1 João 3:10 - "Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão".
  • É tudo que for moralmente incorreto: 1 João 5:17 - "Toda injustiça é pecado; e há pecado que não é para a morte".
  • É a falta de fé: João 16:8-9 - "E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim";
  • É entregar-se a práticas duvidosas: Romanos 14:23 - "Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém da fé é pecado".
  • É não reconhecer-se como pecador: Romanos 3:23 - "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus";
  • É não cumprir com o dever: Tiago 4:17 - "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.
Bem, seria tudo simples se se resumisse a estas respostas. Vamos investigar um pouco mais, principalmente da perspectiva da teologia. No site Bíbliabytes lemos: “A visão filosófica do pecado é que é uma má idéia, como caminhar descalço sobre a neve ou comer muitos alimentos engordurados. Se você faz coisas más, as conseqüências serão más”. Neste site, de origem judaica, lemos ainda: “A Torá (Ensino) concorda que o pecado seja um ato prejudicial. Concorda também que é uma ruptura do fluxo de vida do Criador para a criação”.

Já no site do CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS – CACP, tem um artigo do Pr. Clério Ximenes que valeria a pena transcrever. Leia atenciosamente.

“O que é pecado? De acordo com a definição do dicionarista Aurélio, a palavra pecado vem do latim peccatu e significa “transgressão de preceito religioso. Falta, erro; culpa, vício”. E complementa: “Pecado original - o pecado de Adão e Eva, transmitido a todos os seus descendentes, que nascem em estado de culpa”.

Segundo o Breve Catecismo de Westminster, “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei”. Outro Catecismo importante, o de Heidelberg, traz como 3a. pergunta: “Como você conhece sua miséria?”. E responde: “Pela lei de Deus”. Em 1 João 3.4 temos: “(...) pecado é transgressão da lei”.

No grego, os termos bíblicos usados para pecado são:
  • hamartia, que significa “ato pecaminoso, pecaminosidade” (At 3.19);
  • paraptoma, “transgressão, pecado, passo em falso” (Ef 2.1);
  • anomia, “ilegalidade, transgressão, pecado como estado mental, ato ilegal” (Mt 13.41);
  • e adikia, “injustiça, erro, impiedade, iniqüidade” (Rm 6.13).
No hebraico encontramos as seguintes palavras para pecado:
  • chata, que quer dizer “errar o alvo” (Êx 20.20);
  • aven, “agir com perversidade” (Is 53.6);
  • pesha, “revoltado” (Is 1.2);
  • maal, “agir traiçoeiramente” (Js 7.1);
  • marah, “rebelar, amargurar a Deus” (1Sm 12.13);
  • e marad, “ser desobediente” (Ne 9.26)”.
Muito bom que esse artigo nos ajude a entender o sentido do termo pecado. Eu particularmente gosto muito da definição do Catecismo de Westminster quando afirma que “pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei”. Deus revela nas sagradas escrituras a sua vontade a nós os seus servos. Estar fora de conformidade ou seja, estar fora da forma que Deus estabeleceu para nós é estar em pecado.

Finalmente, Jesus ensina que a raiz do pecado está no coração do homem: "Com efeito, é do coração que procedem más inclinações, assassínios, adultérios, prostituições, roubos, falsos testemunhos e difamações. São estas coisas que tornam o homem impuro". (Mt 15.19-20).

2. É pecado usar brinco, piercing, tatuagem?

Bem agora fica um pouco mais complicado, porque nós pegamos algo que uns praticam e outros não e perguntamos se é pecado. Estes uns que praticam e uns que não praticam são pessoas de dentro das nossas igrejas, que isto fique bem claro. Ou seja, em uma igreja tem gente que gosta e usa e tem gente que detesta, não usa e chama de pecado.

E é pecado?

Em primeiro lugar devemos dizer que a Bíblia não tem versículos para tudo o que se quer ou se pergunta por ai. Não tem, por exemplo, nenhum verso onde aparece o termo Escola Dominical mas todos nós vamos (ou deveríamos) a ED. Não tem nenhum verso que diz que o pastor deve usar terno e gravata, mas tem igreja que se o pastor não estiver de terno e gravata ele não pode pregar. É pecado pregar sem gravata? Não tem nenhum verso que diz não poder acender uma vela na igreja, mas normalmente nas igrejas evangélicas não se acendem velas nem em ocasiões especiais como o Natal. Se acender alguém ficará chateado. Como podemos ver, a Bíblia não é um livro de perguntas e respostas.

Agora o inverso também é verdade. A Bíblia está cheia de versos dizendo o que devemos fazer ou praticar e não fazemos e nem praticamos (portanto, pecamos), mas ninguém fica atormentando as pessoas por ai. Numa certa igreja onde não se pode pregar sem gravata, os crentes ficam nos corredores falando mal uns dos outros. Qual é pecado? Nós preferimos importunar alguém por alguma coisa que faz, que julgamos pecado, do que ir atrás daqueles que não obedecem a Deus.

No caso do piercing...

Alguns gostam de citar o Antigo Testamento para dizer que isto é pecado. Um texto usado é Levítico 19.28: “Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor”. Outra passagem citada é 1 Coríntios 6.19-20: “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo”.

Logo após esta citação vem a pergunta: Como pode o corpo ser santuário do Espírito Santo se ele tem tatuagem, brincos ou piercings? Os argumentos contrários ao uso de tais coisas são fracos, precisamos dizer isso. São argumentos entabulados a partir de opinião própria e já pré-conceituada.

Ao meu modo de ver, que também é passivo de critica (espero por elas), a argumentação não passa por este caminho. Em toda a Bíblia nós somos informados que Deus deseja ter conosco um relacionamento de amizade profunda. Deus quer o nosso amor e a glória devida ao Seu nome. Isso independe da nossa maneira de vestir (costumes) e de nossa maneira de falar (cultura). O que Deus quer é um culto sincero. E o lugar não determina a verdadeira adoração. Tem gente que pensa que adoração só acontece na igreja e fora da igreja vive uma vida totalmente desonesta.

Quem quer usar brincos, tatuagem ou piercing deve refletir sobre a motivação que leva a desejar tal coisa. É para ficar em paz com os amigos? É um ato de rebeldia contra os pais, igreja e sociedade? É para se aparecer e mostrar que é o bom? A motivação para mim diz tudo. Uma jovem ou uma mulher de uma igreja de classe alta compra um vestido Armani na Daslu para ir ao culto peca tanto quanto um jovem que fura a orelha e coloca um brinco para se aparecer ou mostrar sua rebeldia. Não há diferença.

Outra coisa é que não se pode encontrar satisfação plena nisso. Se ao fazer uma tatuagem alguém pensa que com isso será mais feliz, é um erro, um engano. A verdadeira felicidade está na comunhão com Deus. No cristianismo, nos mandamentos de Cristo, nas cartas de Paulo está bem claro que o importa mesmo é a nossa beleza interior.

Concluindo

Assim quero concluir que não existe absolutamente nada que aponte ser pecado ter um brinco. Também não é pecado comprar uma roupa para usar na igreja. Agora as duas coisas podem ser pecado dependendo da motivação.

Eu prefiro um jovem de brinco na igreja do que um jovem sem brinco fora dela. Eu prefiro uma moça de piercing na igreja do que uma sem piercing fora dela. Muitos jovens já deixaram “o curral das ovelhas” por causa da intolerância dos mais fortes na fé (ou seriam mais fracos porque não suportam ver alguém diferente na mesma igreja?)

Meu caro jovem, quero que você saiba que a sua vida tem muito valor para Deus e que você precisa ser um instrumento de graça nas mãos dele. Os jovens de hoje estão doidões, fazendo loucuras, cometendo atos de violência. Querem mais é aparecer, mostrar que controlam suas vidas. Eles estão indo para o inferno e você que tem amigos, colegas, não deve deixar de pregar o evangelho a eles. Não deve deixar de testemunhar do amor de Deus. O problema não é se você usa brincos, mas sim se você vive para Cristo.

Por Rev. Antonio Carlos Barro
É pastor da 8a. Igreja Presbiteriana de Londrina, PR e Presidente da Faculdade Teológica Sul-Americana, na mesma cidade. É formado em teologia, com mestrado e doutorado pelo Fuller Theological Seminary, nos Estados Unidos.
Texto retirado do site: www.provoice.com.br

8 de mar. de 2007

O Meu Isaque?

Entregar algo que nos é caro sempre foi difícil. Dar algo que, ao nosso entender, é tão bom, nos faz tão bem, nos enleva, nos alegra e saber que isso nunca mais será nosso é mais difícil ainda. Entregar então algo que é a nossa própria vida... quase impossível.

Certo dia Deus mesmo chegou para um amigo seu e lhe pediu algo: seu filho, Isaque. Nada mais do que a promessa de Deus para seu amigo Abraão era agora lhe pedido como sacrifício, algo a ser morto. Os dias, anos de alegria de Abraão ao ver Isaque crescendo, tomando forma, jeito de gente... os dias a brincar correndo atrás de ovelhas, a voz suave ao ouvido lhe chamando: “pai”... sonhos... um velho homem de alma rejuvenescida pela chegada de um filho... e agora a voz amiga lhe pedindo: Dá-me!!

Trevas... medo... tristeza.... solidão... angústias de um coração que vê o sonho se transformar em pesadelo...e lá vai ele... com outro sonho... o sonho da ressurreição.. vida que nasce da morte... presente que brota da entrega... esperança que brota da ausência dela mesma.

Bem, o final dessa história vocês conhecem bem... Mas, onde quero chegar afinal ? Repito propositadamente o primeiro parágrafo: Entregar algo que nos é caro sempre foi difícil. Dar algo que, ao nosso entender, é tão bom, nos faz tão bem, nos enleva, nos alegra e saber que isso nunca mais será nosso é mais difícil ainda. Entregar então algo que é a nossa própria vida... quase impossível.

Deus talvez esteja pedindo a muitos de nós o nosso Isaque... mas o que é o “nosso Isaque”?? Vou aventurar-me a uma aplicação livre do texto (não me chamem de herege, hehe), correrei com prazer esse risco.

Em primeiro lugar o nosso “Isaque” é tudo aquilo que é nascido da carne, como um filho... gerado do nosso interior, ganha forma e vida dentro de nós e depois brota... rompe nossas entranhas e nos faz ter a maravilhosa sensação do filho gerado. Como assim?? Não estou falando aqui de obras da carne, mas de frutos naturais de nossa existência humana, carnal, palpável, empírica.

Não quero interpretar Isaque como as obras da carne conhecidas, lascívia, prostituição, bebedices, etc... não, não é isso!! Isaque é aquilo em nós que é bom, que nos dá prazer, as vezes até mesmo vem de Deus (um dom, um talento), aquilo em nós que de vez em quando nos faz olhar e pensar: “nossa, como isso é bom em mim!!”; “como meu “filho”é bonito!”

Porque entregar o que é ruim, aquilo que nos consome de mal, aquilo que nos afronta a alma, que nos amargura... é fácil, difícil mesmo é entregar aquilo que nos é bom, aquilo que as pessoas mais admiram em nós e reconhecermos que isso não é nada, e mais uma vez volto a repetir:

Entregar algo que nos é caro sempre foi difícil. Dar algo que, ao nosso entender, é tão bom, nos faz tão bem, nos enleva, nos alegra e saber que isso nunca mais será nosso é mais difícil ainda. Entregar então algo que é a nossa própria vida... quase impossível.

Mas... por que estou escrevendo isso tudo?? Simples... Nunca seremos nada antes de entregarmos TUDO nas mãos daquele que é tudo em nós (ou pelo menos, deveria ser). Nossos talentos, nossos estudos, nosso conhecimento de nada valem se não estiverem no altar, prontos para serem sacrificados, pronto para serem dilacerados pelo cutelo da mão divina para que haja ressurreição neles... para que haja vida!!

Confesso estar um pouco cansado dos livros, do conhecimento, sem que isso resulte em vida... Este texto não é só para os outros... é para mim também... na tentativa de me instruir a colocar o meu Isaque sobre o lenho e deixar que fogo o consuma totalmente.

Mas... na história real Isaque não foi sacrificado, vocês podem estar perguntando. Exato... um cordeiro foi sacrificado no lugar dele...e o que isso tem a ver ??

Mudemos de cenário... ao invés do Monte Moriá caminhemos para o Monte do Calvário... ali um outro lenho é levantado e um outro cordeiro sacrificado. Fim dos sacrifícios?? Sim, mas começo da cruz, onde nos gloriaremos sempre.

Sacrificar o nosso Isaque hoje significa bem mais que leva-lo ao alto de um monte para ser sacrificado... antes, significa lançar sobre o crucificado aquilo que somos e experimentarmos a ressurreição que vem dele. Significa lançar sobre ele nossos dons, talentos, conhecimentos, tudo aquilo de que podemos nos gloriar... para que sejam mortos com ele...e ressuscitem com ele... novos, limpos, prontos para serem usados como instrumentos de louvor... sacrifícios de louvor... isso é entregar o Isaque... isso é “gloriar-se na cruz”.

Ao fazermos isso, sentiremos com certeza nova vida pululando em nossas atitudes, sentiremos que fazer a obra de Deus crescer é antes de tudo, crescer em Deus para fazer sua obra... é crucificarmos com Cristo não só nossos entraves, pois como já disse, isso é fácil... queremos nos livrar deles, mas difícil mesmo é lançar sobre a cruz (e sobre o crucificado) aquilo que é BOM em nós, aquilo de que poderíamos nos encher, pois acaba aí nossa glória, nosso engrandecimento tolo de acharmos que somos alguma coisa sem aquele que foi lançado perfeito sobre a cruz. “Sem mim, nada podeis fazer” disse ELE... que não queiramos ser tolos o suficiente para tentarmos fazer a obra DELE sem ELE.

Pra terminar...

Entregar algo que nos é caro sempre foi difícil. Dar algo que, ao nosso entender, é tão bom, nos faz tão bem, nos enleva, nos alegra e saber que isso nunca mais será nosso é mais difícil ainda. Entregar então algo que é a nossa própria vida... quase impossível.

Mas... para Deus não haverá impossíveis!!!

Que Deus nos dê graça,

José Barbosa Junior
www.crerepensar.com.br

6 de jan. de 2007

Sede de excelência!

O profeta Daniel, em sua juventude, não só resolveu não se contaminar com as finas iguarias do rei, como também não comeu do pão da preguiça. Pois não foi à-toa que entre os eruditos jovens de Judá, quando o reino estava sob jugo babilônico, lá estava Daniel, aprovado no “vestibular” do rei Aspenaz. Ali chegou mostrando que até se alimentar melhor que os outros jovens escolhidos ele sabia. Quanto à sabedoria e o conhecimento, o próprio Aspenaz considerou Daniel e seus amigos “apenas” dez vezes mais sábios que os magos e encantadores da Babilônia.

Percebo com isso que a fidelidade de Daniel a Deus, louvável durante sua exemplar trajetória, começou muito antes, com um forte anseio de dar o melhor de si em tudo, com o simples objetivo de glorificar o nome do Deus de Judá em cada circunstância de sua vida. Ousado, disciplinado, sensível às revelações de Deus e com uma superioridade intelectual e espiritual que em seu semblante acabou por tornar-se notória, vide o episódio da escolha de sua dieta.

Desnecessário é dizer que Daniel deve ser um exemplo de conduta para a vida de todos os cristãos - num tempo em que a palavra ‘excelência’ deixou de ser valorizada. Tempo no qual se vê os que deveriam ser mestres na Palavra “dando na trave” em sermões, servos desleixados nas igrejas, músicos pífios e ministros imaturos conduzindo o louvor e a adoração e a mediocridade prevalecendo em várias áreas da nossa própria vida.

Verdade é: o rei Aspenaz escolheu os melhores. Já Jesus escolheu para seus discípulos - que mais tarde se tornaram os grandes líderes da igreja primitiva - jovens simplórios, néscios e birrentos. Não há problema nenhum em ser como eram os recém-escolhidos discípulos de Jesus. O que não se pode é permanecer assim por toda a vida, em tantas áreas. A vida dos apóstolos e a de Daniel devem inspirar cada cristão a ter sede de dar o melhor de si em todas as coisas, para que o Reino cresça e que, repletos da sabedoria vinda do alto e sem o cheiro da carne em nós, fechemos as bocas dos leões da Babilônia moderna.

Por Eliot D. Chambers

3 de jan. de 2007

Fé? O que é?

Geralmente se diz que fé é acreditar em Deus. Ou ainda que fé é acreditar que Deus tudo pode.
As duas definições, entretanto, nada nos acrescentam, pois esse tipo de fé até mesmo o diabo tem.

Gosto da definição de Rob Bell:
"fé é acreditar que Deus acredita em você."

Essa foi a experiência de Pedro
quando pediu que Jesus o chamasse para
andar sobre as águas. E Jesus o chamou,
isto é, pronunciou uma palavra de ordem a seu respeito.

Pedro saiu do barco e caminhou sobre as águas.
Mas em dado momento prestou atenção no vento,
e duvidou.
Começou a afundar e clamou por socorro:
“Senhor, salva-me!”

Pedro não duvidou de Jesus
e nem de seu poder de salvar.
Então, duvidou de quê?
Duvidou de si mesmo.
Duvidou de que seria capaz de cumprir
a palavra de Jesus pronunciada a seu respeito.

Fé não é acreditar que Deus tudo pode.
Fé é acreditar que
“tudo posso naquele que me fortalece”.
Quem acredita que Deus tudo pode e nada faz,
tem fé sem obras, e fé sem obras é fé morta.

Hebreus 11 é chamado de “galeria dos heróis da fé”.
Ali estão registrados os exemplos de fé.
Não são pessoas que apenas acreditaram
em Deus ou no fato de que Deus tudo pode.
São pessoas que, porque acreditaram em Deus,
e no fato de que Deus tudo pode,
deixaram sua zona de conforto
e se arremessaram a andar com Deus,
obedecendo as ordens de Deus
e perseguindo as promessas de Deus.

Fé é acreditar que Deus acredita em você.

Fonte: www.outraespiritualidade.com.br